Americanah é o primeiro livro que leio de Chimamanda Ngozi Adichie,vencedor do National Book Critics Circle Award de 2013. O livro é um retrato da Nigéria, onde os conflitos políticos norteiam os a vida dos protagonistas.

Os costumes da Nigéria são incríveis, o país é descrito no livro como um lugar cheio de cor, quente e conflituoso porem a instabilidade política e pouco crescimento econômico são o ponto crítico, onde os professores fazem greve constantemente, é os estudantes pouco estimulados procuram fora do país uma forma de terminar os estudo e entrar no mercado de trabalho, Nesse cenário Ifemelu - embora relutante - escolhe os EUA onde se forma e inicia um grande carreira com escritora, já Obinze parte para o Reino Unido, de onde coleciona sub-empregos é deportado.

Em um mundo diferente com tantas regras sociais que a fazem temer sair de casa, Ifemelu aos pouco vai se tornando Americanah, mas até chegar a esse ponto, a protagonista aprende o que é preconceito contra raça, gênero, etnia e classe social, além de passar por dificuldades financeiras que a fazem tomar decisões difíceis e crueis.

Aceitaria que os romances dos quais ele gostava eram superiores, romances escritos por homens jovens ou quase jovens e repletos de coisas, um acúmulo fascinante e confuso de marcas, músicas, revistas em quadrinhos e ícones, que lidavam apenas de maneira superficial com as emoções e com cada frase estilosamente consciente de seu próprio estilo. Ifemelu havia lido muitos deles porque Blaine os recomendava, mas eram como algodão-doce, dissolvendo fácil na língua da memória.

Ifemelu tem uma vida inicial difícil nos EUA, embora desde o início você saiba que em algum momento ela dará a volta por cima (isso fica implícito no primeiro capítulo), a jornada é tão caótica, cheia de amores complexos, que tem características exatas para as críticas sociais que ela fará ao longo do livro. Eu gosto como a personalidade dela é forte, ela nunca se mostra inferior a ninguém, não sei se esse romance tem algo biográfico mas em algumas situações a sensação e que ela não só conta parte de sua história, mas também se apropria da história de vida de outros nigerianos.
Soterrar uma criança de quatro anos com um monte de escolhas, colocar nela o fardo de tomar uma decisão, era privá-la da bênção da infância. 

Ao longo do livro a protagonista passeias por todos os pontos críticos referentes a todo tipo imaginável de preconceito, mas se desestabiliza em nenhum momento, ela escreve um blog, conversa com amigos, e quase sempre diz o que pensa, eu não gostei desses pontos pois as vezes parece passivo agressivo, detesto pessoas assim. 

Acho que um dos problemas do livro é a quantidade de personagens com nomes complicados, tem momentos que você lê o nome, sabe que aquele personagem foi importante em algum momento, mas releva e continua lendo sem lembrar direito a importância desse personagem, outro ponto é que alguns personagens tem um aprofundamento de suas histórias porem o destino não é contado até o final.



Aos poucos comecei a achar Ifemelu egoísta, as vezes chata, também a achei covarde, ela escreve um blog sobre raça fala o que pensa, mas quando está envolvida em uma conversa com pessoas reais, ela trava, parece aquelas pessoas que só tem força quando estão usando suas roupas de combate, mas isso é irreal pois ela é forte na maioria das outras situações.



O livro termina onde você imagina que deve terminar, do jeito que você imagina que deve terminar, não tem surpresa, ele simplesmente entrega o que promete.

Em breve teremos um filme estrelado por Lupita Nyong'o e David Oyelowo.


Abaixo o vídeo que me fez ficar fã de Chimamanda.





Chimamanda Adichie - Os perigos de uma história única. 
Palestra TED


Detalhes e Sinopse
Ano: 2014 / Páginas: 516
Editora: Companhia das Letras

Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Nota ★ ★ ★ ☆ ☆