“Fale baixo. Feche as janelas, enfie todos os alimentos em sacos plĂ¡sticos. Ponha luvas de borracha e passe um pano Ăºmido em tudo que puder. Depois ponha o pano num saco plĂ¡stico e jogue fora bem longe. A roupa estendida na Ă¡rea, ponha tudo de novo para lavar. NĂ£o compre pĂ£o. E de forma alguma compre pastĂ©is na rua.”
“O que aconteceu?”
“Fale baixo. Dissolva duas gotas de iodo num copo de Ă¡gua. Molhe a cabeça.”
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| Reator apĂ³s desastre - Wikipedia |
Eu costumava ver muitos vĂdeos sobre Chernobyl, revia a dramatizaĂ§Ă£o sobre o evento catastrĂ³fico, parava todas as vezes que aparecia um especial na TV, eu sempre tive muita curiosidade e medo, isso sempre me assustou muito, saber que algo que teoricamente foi criado para melhorar a qualidade de vida de uma populaĂ§Ă£o tivesse se tornado o inferno de suas vidas, veja bem, nĂ£o sou nem um pouco contra Usinas Nucleares, mas um coisa tenho certeza, nĂ£o estamos prontos para controlĂ¡-la ainda, Chernobyl aconteceu em 26 de abril de 1986, Fukushima Daiichi aconteceu em 11 de março de 2011 25 anos depois, uma geraĂ§Ă£o, e nĂ£o mudou muita coisa em relaĂ§Ă£o ao controle que temos sobre o Ă¡tomo, e sendo sincero nem com a segurança da populaĂ§Ă£o, pois em Fukushima Daiichi que aconteceu no JapĂ£o a populaĂ§Ă£o foi salva pois o acidente foi causado por um Tsunami e a populaĂ§Ă£o jĂ¡ estava preparada para abandonar tudo, mas isso Ă© algo pontual, nem todos os paĂses tem em mente que a populaĂ§Ă£o Ă© o que faz um pais, salvar o conceito em vez de vidas Ă© uma questĂ£o que ainda continua primordial em alguns lugares.
As instruções sĂ£o feitas para pessoas instruĂdas, com determinada cultura. Mas nĂ£o hĂ¡ disso aqui! As pessoas daqui nĂ£o podem compreender essas instruções. AlĂ©m disso, nĂ£o Ă© simples explicar a cada uma delas o que diferencia os “rems” dos “roentgen”. Ou a teoria das pequenas doses
Eu descobri esse livro recentemente, foi uma coincidĂªncia ler seguido dois ganhadores do prĂªmio Nobel, mas em relaĂ§Ă£o a Patrick Modiano eu tenho algumas dĂºvidas r lerei mais para entender o motivo de a escrita dele ser tĂ£o fantĂ¡stica a ponto de se elegĂvel ao prĂªmio, jĂ¡ Svetlana AleksiĂ©vitch nĂ£o me passa nenhuma dĂºvida, ela foi honesta ao escrever Vozes de TchernĂ³bil, mas nĂ£o se engane, nĂ£o Ă© nem um pouco fĂ¡cil ler esse livro, eu poderia tĂ©-lo lido em 3 dias mas completei exatamente uma semana nessa leitura. O livro Ă© divido por partes, com capĂtulos que se integram de certa forma, soldados, mĂ©dicos, membros do partido, esposas, crianças, idodos, todos foram ouvidos, tive a impressĂ£o que nada foi escondido, tem relato tristes, difĂceis de aceitar, tem deboche, tem pessoas que acreditam que nada daquilo aconteceu, e embora eu acredite que muito foi encoberto, eu nĂ£o tive dĂºvidas de que aquelas pessoas que foram entrevistadas falavam de coraĂ§Ă£o.
Quer outra piada? Depois de TchernĂ³bil, vocĂª pode comer de tudo, mas deve enterrar a sua merda numa caixa de chumbo. Ha-ha-ha. A vida Ă© bela, mas Ă© uma merda que seja tĂ£o curta.
O relato inicial de uma esposa que perdeu o marido, um dos bombeiros que atenderam a chamada de incĂªndio, um dos primeiros a chegar a Usina, usando uma roupa comum sem nenhuma proteĂ§Ă£o, Ă© visceral, vocĂª literalmente fica sem palavras ao terminar, eu tive a certeza que mudaria minha opiniĂ£o sobre muitas coisas lendo esse livro, mas apenas lendo esse capĂtulo eu tive a certeza de que deveria esquecer tudo o que sabia sobre o acidente e nĂ£o pre julgar nada, foi o que fiz.
O processo clĂnico de uma doença aguda do tipo radiativo dura catorze dias.
No 14ª dia, o doente morre.
O livro passei pelos mais diversos relatos, nĂ£o sĂ³ sobre o que aconteceu naquele dia, Ă© um relato completo sobre como foram os anos apĂ³s o acidente, principalmente na BielorrĂºssia, paĂs pouco conhecido, mas que teve durante o acidente, 75% de seu territĂ³rio tomado pela nuvem radioativa, onde alguns povoados tiveram sua populaĂ§Ă£o remanejada, mas que voltaram pois viviam daquela terra, e como explicar a uma pessoa sem conhecimento o que Ă© radiĂ§Ă£o, que nĂ£o se pode ver ou cheirar, eles voltaram, muitos pagaram o preço imediato, outros pagam atĂ© hoje.
Esse particularmente nĂ£o Ă© um livro fĂ¡cil de ser lido, entretanto eu acredito que deva ser lido, Ă© preciso dar atenĂ§Ă£o a essas "vozes", testemunhar que o homem nĂ£o Ă© forte sobre tudo e precisa respeitar os limites do que nĂ£o se sabe lidar.
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| Fonte imagem - HUFFPOST BRASIL |
Svetlana Aleksandrovna AleksiĂ©vitch, nasceu em Stanislav, RSS UcrĂ¢nia, foi criada na BielorrĂºssia, seus pais sĂ£o professores, sendo sua mĂ£e Ucraniana e seu pai Bielorrusso, Ă© formada em Jornalismo, escreveu livros em prosa, sobre: Segunda Guerra Mundial, a Guerra do AfeganistĂ£o, a queda da UniĂ£o SoviĂ©tica e o desastre de Chernobyl, Ă© ganhadora do prĂªmio Nobel 2015 por vozes de TchernĂ³bil, livro que faz parte do projeto literĂ¡rio "vozes da UtĂ³pia", contituĂdo de 5 livros em prosa que retratam o espirito das pessoas que foram testemunhas da histĂ³ria. (fontes: WikipĂ©dia, elsinore, nobelprize.org, HUFFPOST BRASIL)
Vozes de TchernĂ³bil
A HistĂ³ria oral do desastre nuclear
Svetlana Alexievich (Svetlana Aleksievitch)
Ano: 2016 / PĂ¡ginas: 384
Idioma: portuguĂªs
Editora: Companhia das Letras
Nota ★ ★ ★ ★ ★

